Ganhava um monte de presentes dos feirantes para experimentar as coisas - De lascas de queijos a rodelas de abacaxi, comia tudo que me ofereciam por lá. De quebra no término das compras meu presente era liquido e certo o pastel acompanhado do caldo de cana - Carne, queijo, palmito, pizza – era serviço duro escolher. Deu água na boca aqui, só de lembrar.
O bicho pega mesmo é na hora da xepa, termo usado para designar o horário do fim da feira, quando os produtos passam por uma queima de estoque.
No começo da feira, logo de manha os produtos estão fresquinhos e bonitos, então tem o preço normal de mercado, mas no fim os produtos já mais estão menos escolhidos, por isso ficam mais barato. Então era (e ainda é) nesse horário que a mamãe deixava o preparo do almoço rapidinho para aproveitar as ofertas do fim da feira que acontece entre meio dia e duas da tarde.
Hoje quando entro numa feira é como se abrisse um atalho para o passado, o primeiro sentido que grita é o olfato.
O ambiente é dominado por aromas cítricos, doces, fortes, suaves que se misturam num degrade característico de uma das mais fortes tradições culturais da humanidade: o mercado – atendido aqui pelo nome de Feira Livre.
Na feira aprendi também as manhas do mercado ao ar livre.
O fato é que nas feiras sempre se pode ver coisas incríveis que nem sempre é lugar-comum, bregas ou caricatas, onde a monotonia com certeza não vigora.
Sempre que passo por uma feira livre peço aos anjos que ela nunca morra e leve os restos mortais das minhas lembranças que se perdem na estrada da modernidade.
Bom vamos a ela então.
Escolha uma roupa e calçado bem confortável e prepare-se para a caminhada.
Além das ofertas das frutas, legumes e verduras da estação, o passeio é ótima oportunidade para garimpar preciosidades para a sua casa.
Não tenha pressa nas negociações nunca se sabe o que há de interessante na barraca adiante, além disso, de uma venda para a outra o preço e a qualidade podem ser diferentes.

A barraca que conserta panelas fica em cima de um caminhão. Quem passa olha e quem precisa pára. Ele fura, raspa, parafusa, martela. E faz qualquer tipo de conserto.
Conversando com o Sr do caminhão soube uma das coisas que dá mais reposição(até os dias de hoje)é o cabo do caneco,bules e panelas morri de rir.
Sabem as barracas que ficam ao lado do caminhão que conserta panelas?
Pois então, a feira tem lá sua logística na mesma calçada você encontra também a barraca que vende miudezas; ralos para a pia da cozinha, bico de borracha para torneiras e mangueiras, ralador de legumes, abridores em geral, e até aquelas marmitas de alumínio que podem virar charmosas caixas para guardar coisas miúdas nas gavetas da cozinha ou do banheiro.
Balde para roupas de alumínio também vira (cachepo) para vasos ou flores, alem disso as opções para os de plásticos são maiores do que nos supermercados, por exemplo. Outros atrativos das feiras são os modelos de vassouras que não costumamos ver nas prateleiras dos supermercados.

- Pimenta moída na hora, couve picadinha;
- Ervas seca e especiarias (cominho, noz moscada, colorantes, anis, cravo, canela etc).
- Ervas frescas de todos os tipos; pimenta de cheiro, ervas aromáticas para banhos e chá, bucha natural etc.
- Coco ralado na hora – só encontro nas feiras.
É um ótimo lugar também para lambiscar frutas, conhecer as verduras, legumes, frutas da estação, lembrar do passado – e conhecer mais sobre frutas e legumes. Na feira você aprende na prática com a degustação sobre vitaminas de tudo.
Diversão garantida e adeus dieta!
Somente nas feiras você consegue montar seu próprio pacote de biscoitos e petiscos com sabor caseiros favoritos – Um luxo!
Antes de reescrever este post passei na feira aqui perto de casa para ver se ainda continua a mesma.
Tudo em nome de uma clientela fiel e mal acostumada.
Ah, ir à feira e não comer pastel? Nem caldo de cana? Você só pode estar brincando.
É Bom Feng Shui!
Boa Feira!







Conheci semana passada através do meu filho, um projeto novo que trabalha em com o intuito de fomentar a construção de uma Rede de Consumo Coletivo e Cooperação Econômica na região metropolitana de São Paulo pautando-se pelos princípios da Economia Solidária, Comércio Justo, Consumo Consciente e Agroecologia, trata-se do Projeto Circura.