domingo, 8 de fevereiro de 2015

Procurando o essencial

Eu já tive o privilégio de morar em algumas cidades e conhecer muitas outras. Cheguei a conclusão de que já não consigo mais viver numa cidade grande como São Paulo.
Sinto falta da simplicidade - Tudo é tão exagerado e voltado para altos padrões de exigência como se não existissem mais pessoas “simples” vivendo.
Lojas não precisam ser tão chiques, restaurantes não precisam ser tão finos e bares não precisam ser tão badalados. O problema é que as pessoas desaprenderam como ser simples - simplicidade não dá status.


Cada um tem a sua própria definição de “simplicidade”, "essencial" ou "mínimo", uma definição que muda com o tempo, de acordo com nosso caminho, nossa maturidade, nosso momento. Para mim, por exemplo, não é essencial ter um Mac última geração só escrevo arquivos txt no Word, qualquer computador resolve, mas ainda preciso ter um carro bom, que não me deixe na mão. Aliás, diga-se de passagem, que ninguém precisa ter feito voto de pobreza para se dizer minimalista ou simples.
Ser minimalista somente quer dizer fazer um esforço para viver com menos. Para possuir somente o essencial. Para se concentrar mais em experiências e em pessoas, e menos em objetos e em acúmulo de bens.


Hoje, eu moro em uma pequena cidade litorânea, o lugar é muito simples, as lojas são pequenas, os restaurantes são menores e aconchegantes... As pessoas parecem que são mais educadas, mais de bem com a vida e seu tamanho, geralmente pequeno, acaba nos deixando mais à vontade.
Vou tentar resumir aqui um pouco dessa experiência nos últimos meses: 
Tempo ruim, na praia? Nem quando chove
É abrir a janela e ter à sua inteira disposição um quadro dinâmico pintado pela mãe natureza. Cada dia uma nova cor, novas possibilidades. O cenário perfeito para relaxar e curtir as belezas naturais que nos foram dadas de presente e tanta gente às vezes ignora.

Sem desculpas para fazer atividade física
Nesse caso, não cabem desculpas!  Minha casa não tem acesso para carro, e eu tenho que carregar absolutamente tudo!

Conscientização ecológica e vida voltada à sustentabilidade
Quem mora na praia (e quem a visita) dede zelar por ela e torcer para que essa consciência se estenda para todos. Muitas vezes até sem perceber a gente vai catando lixo que os outros deixam na areia e calçadas, principalmente em épocas de temporada de verão.
Quem mora perto da praia acaba naturalmente se tornando uma pessoa mais consciente e prezando por um estilo de vida sustentável.

Simplicidade e boas amizades
Você pode até morar numa numa mansão ou num apartamento de luxo, mas praia é lugar simples, de gente feliz e sem muitas frescuras. Pescadores, ambulantes, famílias unidas, idosos com muitas e belas histórias. Lugar e momento perfeito para deixar de lado formalidades, preconceitos, vaidades desnecessárias.
Hoje a cada saída minha à praia ou simplesmente ao mercadinho, visto meu melhor sorriso e mergulho no prazer de conhecer gente nova - Qualidade de vida, pura e simplesmente

Posso dizer que um pouco de cada coisa combinadas com (belezas naturais, atividade física, sustentabilidade e interação entre as pessoas) têm me feito um bem danado; sinto-me uma pessoa mais saudável, feliz e sossegada.
E aí, já quer largar a vida corrida da cidade e ir morar na praia também? Compartilhe também os seus planos com a gente nos comentários! Interagir faz bem à saúde.
Bj Y

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Retrospectiva 2014

Foram tantas as reclamações, tão enfáticos os clamores, tão veementes os lamentos, que no fim eu me vi obrigada a parar e me perguntar “Êpa, mas 2014 foi assim esse horror todo que as pessoas estão dizendo?”
Procurei por sinais inequívocos de encrenca, tentei listar os maiores problemas, recapitulei meus passos pra detectar onde foi que pode ter dado merda e, olha que apesar dos primeiros quatro meses terem sido bem horríveis, o resto nem foi esse pandemônio todo. Arriscaria em chamar de ‘annus marron’.
Não acertei uma mísera quadrinha na MegaSena, George Clooney continuou ignorando minha existência e para piorar acabou se casando-se com aquela advogada britânica horrorosamente linda. Não falei nem dez por cento dos f***-se que eu deveria e gostaria de ter dito, e ainda faltou ver meu Brasil, (“nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não”) na direção de se tornar um lugar realmente civilizado pra se viver. Mas, pelo visto “fodeu de vez”, você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora, para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação?

Reencontrei amigos, renovei e fiz novas e muito queridas amizades – e quem desdenha as redes sociais não faz ideia de quanta gente bacana, linda e interessante está espalhada aí por esse mundão de meudeus,só esperando uma chancezinha de nada pra virar seu amigo de infância – tive família, amores e amigos ao meu lado, recarregando minhas energias tanto ao vivo e a cores como pela virtualidade, fui a festas, batizados, aniversários, casamentos e tantas outras celebrações onde pessoas queridas estavam lindas e felizes e me fizeram linda e feliz junto com elas, fiz muitos brindes, vi ótimos filmes, li muito (como há muito tempo não lia), fiz pequenos passeios deliciosos, caminhadas na praia, fiz muitas fotos, ouvi muita música boa (porque eu não ouço música ruim, cof colf).
Mantive-me saudável e até a onda de perdas que andava rondando os meus nos últimos anos fez a delicadeza de dar um tempinho.

Então acho que eu tenho mesmo muito mais a agradecer do que reclamar. 2014 não receber um Oscar por seu desempenho, mas aparentemente me foi mais suave do que pra muita gente.
2015 chegou, com muitos (e alguns complicados) desafios, com problemões com os quais eventualmente teremos que lidar, bons projetos na cabeça e aquele inevitável otimismo que costumamos ter ao dar início a qualquer empreitada. Não tenho assim grandes pretensões, espero que os dias me sejam leves e que eu continue recebendo toda essa energia bacana que chegou até mim neste último ano. E que eu possa continuar retribuindo com a minha própria.

Um muito Feliz Ano Novo para todos nós!

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Desapega e liberta-te


Não é a primeira vez que falo sobre desapego aqui no blog. Descobri ao longo do tempo que exercitar o desapego é um hábito que acontece de dentro pra fora, não adianta forçar, deve acontecer como um tratamento – Você quer parar de fumar? Quer emagrecer? Quer ter uma vida mais saudável? Você sabe o que tem que fazer.
Desapegar é libertador. Mas, dói eu sei.
Lembro da dificuldade que senti quando comecei a minha fase de destralhe, e de cara percebi que jogar coisas estragadas ou velhas e que não serviam mais, era só a ponta do iceberg. O exercício tem graus de dificuldades diferentes.
Somos tão apegados a certos comportamentos e hábitos, que nem nos damos conta. Carregamos sem perceber pensamentos que já não servem mais, conselhos e crenças que não fazem mais sentido, o que pode ser consertado, refeito, mudado, mas que já não nos cabe mais entende?


Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) desapegar de recordações que machucam, de sentimentos e às vezes até de pessoas. Jogar fora o que te pesa e te afasta cada vez mais de você mesmo.
É mais ou menos como destralhar a casa, chega uma hora da vida em que é preciso sacudir os tapetes, as cortinas, arrastar móveis e faxinar todos os pontos, em todos os cantos, para que o novo seja bem-vindo quando a poeira sair, para que a mudança se concretize e a gente possa de fato, sentir a leveza que dá na alma quando só fica o que realmente importa e nos faz bem.
Praticar o desapego não é uma tarefa fácil, mas a cada descarte nos sentimos mais leves, mais conectados com o universo, nos lembrando sempre de que há espaço sim, para o que tanto buscamos.
Só deve ficar o que realmente nos faz crescer e evoluir em direção ao nosso propósito maior de sermos nós mesmos em todos os momentos.
Não deve haver espaço para restos; metades ou partes de nada nem ninguém.


Estou praticando, e confesso que ainda é difícil, doído, sofrido, mas eu sei que vale a pena. Por mais e mais camadas de hábitos, sentimentos, pensamentos, ou crenças que foram se acumulando em todos os lados e cantos, acredito sinceramente que destralhar os poros esta valendo cada gotinha de suor.
Desapegar é deixar morrer o que for preciso para que entre mais vida na nossa vida.
Encerrar um ciclo. Inventar um novo começo.
E é desse espaço que a gente precisa. Ou não?

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Tempo livre - será esse o tal ócio criativo?

Aquele que é mestre na arte de viver faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu tempo livre, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Distingue uma coisa da outra com dificuldade. Almeja, simplesmente, a excelência em qualquer coisa que faça, deixando aos demais a tarefa de decidir se está trabalhando ou se divertindo. “Ele acredita que está sempre fazendo as duas coisas ao mesmo tempo” (Domenico de Masi, O Ócio Criativo).

O relógio interno que controla o tempo cobra: o que fiz hoje? É preciso uma grande lista para não ser classificado como inútil, preguiçosa, indolente.
O que você vai fazer no final de semana? Dormir. É época de feriado. Você vai fazer o que? Não sei, vou ver… Passou o feriado. Fez o que? “Eu? Ahn… Ou então meu final de semana será repleto de tantas e tantas atividades de lazer que iniciarei a semana com alto grau de estresse, cruzes que mundo é esse??!!
Às vezes fico um pouco envergonhada de dizer que finalmente conquistei tempo livre. Acho que isso é minha maior contradição neste tal mundo globalizado. Como alguém num mundo com tanto acesso à informação, com novas formas de comunicação e vivendo numa cidade global pode se queixar de tempo livre?
Lembrei da música dos Fazer “Titãs:
“Devia ter complicado menos,
trabalhado menos, ter visto o sol se pôr”…”.
Parafraseando Drummond: “Êta vida besta, meu Deus!”
Eu me queixo, mas em silêncio. Ninguém tem tempo livre, todos correm contra o tempo enquanto eu passeio pelo tempo, matando tempo.
Tempo livre é um tabu com o qual tenho lutado. Primeiro para reconhecer que isso não seja um problema, depois para que as pessoas não me vejam como uma esnobe e principalmente para aprender a desfrutá-lo.
Tomo café da manha demorado, leio jornais e blogs, leio livros que outros indicam, escrevo cartas, emails e poemas, telefono e penso na vida. Muitas vezes tudo isso gera uma vontade de mundo e aí nem sempre os outros estão com tempo para gastarmos um tempo junto. Então escrevo posts, outras cartas e tomo mais um café.
A falta de tempo é um problema artificial mesmo. Vivemos quase o dobro de nossos bisavôs. Além disso, inventamos um monte de máquinas e engenhocas para economizar tempo não?!
É preciso paciência e serenidade para lidar com o tempo, mas acho que este tabu está sendo quebrado.

yvone

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Clareza


É nestes momentos que percebo minhas fragilidades,
que percebo os limites daquilo que sou, 
as linhas que projeto
os lugares de onde venho e aqueles para onde quero ir.
Sim, quero estar aqui, quero você, e a plenitude que atingem duas almas que se completam,
se consolam, se encontram.
São estes os momentos que se guardam da vida,
são estes os momentos em que se pode ter apenas uma frase a cair pelos lábios quietos:
se morresse agora, morreria feliz.
yvone

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