sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Desapega e liberta-te


Não é a primeira vez que falo sobre desapego aqui no blog. Descobri ao longo do tempo que exercitar o desapego é um hábito que acontece de dentro pra fora, não adianta forçar, deve acontecer como um tratamento – Você quer parar de fumar? Quer emagrecer? Quer ter uma vida mais saudável? Você sabe o que tem que fazer.
Desapegar é libertador. Mas, dói eu sei.
Lembro da dificuldade que senti quando comecei a minha fase de destralhe, e de cara percebi que jogar coisas estragadas ou velhas e que não serviam mais, era só a ponta do iceberg. O exercício tem graus de dificuldades diferentes.
Somos tão apegados a certos comportamentos e hábitos, que nem nos damos conta. Carregamos sem perceber pensamentos que já não servem mais, conselhos e crenças que não fazem mais sentido, o que pode ser consertado, refeito, mudado, mas que já não nos cabe mais entende?


Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) desapegar de recordações que machucam, de sentimentos e às vezes até de pessoas. Jogar fora o que te pesa e te afasta cada vez mais de você mesmo.
É mais ou menos como destralhar a casa, chega uma hora da vida em que é preciso sacudir os tapetes, as cortinas, arrastar móveis e faxinar todos os pontos, em todos os cantos, para que o novo seja bem-vindo quando a poeira sair, para que a mudança se concretize e a gente possa de fato, sentir a leveza que dá na alma quando só fica o que realmente importa e nos faz bem.
Praticar o desapego não é uma tarefa fácil, mas a cada descarte nos sentimos mais leves, mais conectados com o universo, nos lembrando sempre de que há espaço sim, para o que tanto buscamos.
Só deve ficar o que realmente nos faz crescer e evoluir em direção ao nosso propósito maior de sermos nós mesmos em todos os momentos.
Não deve haver espaço para restos; metades ou partes de nada nem ninguém.


Estou praticando, e confesso que ainda é difícil, doído, sofrido, mas eu sei que vale a pena. Por mais e mais camadas de hábitos, sentimentos, pensamentos, ou crenças que foram se acumulando em todos os lados e cantos, acredito sinceramente que destralhar os poros esta valendo cada gotinha de suor.
Desapegar é deixar morrer o que for preciso para que entre mais vida na nossa vida.
Encerrar um ciclo. Inventar um novo começo.
E é desse espaço que a gente precisa. Ou não?

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Tempo livre - será esse o tal ócio criativo?

Aquele que é mestre na arte de viver faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu tempo livre, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Distingue uma coisa da outra com dificuldade. Almeja, simplesmente, a excelência em qualquer coisa que faça, deixando aos demais a tarefa de decidir se está trabalhando ou se divertindo. “Ele acredita que está sempre fazendo as duas coisas ao mesmo tempo” (Domenico de Masi, O Ócio Criativo).

O relógio interno que controla o tempo cobra: o que fiz hoje? É preciso uma grande lista para não ser classificado como inútil, preguiçosa, indolente.
O que você vai fazer no final de semana? Dormir. É época de feriado. Você vai fazer o que? Não sei, vou ver… Passou o feriado. Fez o que? “Eu? Ahn… Ou então meu final de semana será repleto de tantas e tantas atividades de lazer que iniciarei a semana com alto grau de estresse, cruzes que mundo é esse??!!
Às vezes fico um pouco envergonhada de dizer que finalmente conquistei tempo livre. Acho que isso é minha maior contradição neste tal mundo globalizado. Como alguém num mundo com tanto acesso à informação, com novas formas de comunicação e vivendo numa cidade global pode se queixar de tempo livre?
Lembrei da música dos Fazer “Titãs:
“Devia ter complicado menos,
trabalhado menos, ter visto o sol se pôr”…”.
Parafraseando Drummond: “Êta vida besta, meu Deus!”
Eu me queixo, mas em silêncio. Ninguém tem tempo livre, todos correm contra o tempo enquanto eu passeio pelo tempo, matando tempo.
Tempo livre é um tabu com o qual tenho lutado. Primeiro para reconhecer que isso não seja um problema, depois para que as pessoas não me vejam como uma esnobe e principalmente para aprender a desfrutá-lo.
Tomo café da manha demorado, leio jornais e blogs, leio livros que outros indicam, escrevo cartas, emails e poemas, telefono e penso na vida. Muitas vezes tudo isso gera uma vontade de mundo e aí nem sempre os outros estão com tempo para gastarmos um tempo junto. Então escrevo posts, outras cartas e tomo mais um café.
A falta de tempo é um problema artificial mesmo. Vivemos quase o dobro de nossos bisavôs. Além disso, inventamos um monte de máquinas e engenhocas para economizar tempo não?!
É preciso paciência e serenidade para lidar com o tempo, mas acho que este tabu está sendo quebrado.

yvone

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Clareza


É nestes momentos que percebo minhas fragilidades,
que percebo os limites daquilo que sou, 
as linhas que projeto
os lugares de onde venho e aqueles para onde quero ir.
Sim, quero estar aqui, quero você, e a plenitude que atingem duas almas que se completam,
se consolam, se encontram.
São estes os momentos que se guardam da vida,
são estes os momentos em que se pode ter apenas uma frase a cair pelos lábios quietos:
se morresse agora, morreria feliz.
yvone

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Crianças grandes

A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.
Li essa frase certa vez em um livro de psicologia e ela sempre me soava estranha. Agora com filhos adultos a frase me parece mais coerente do que nunca.
Antes que alguma mãe apressada venha me acusar de desamor, preciso explicar o que significa isso. Ser 'desnecessária' é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também.

A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.
Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
Ao aprendermos a ser 'desnecessários', nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.
Minhas crianças grandes já nasceram com um chip implantado no cérebro. E eu, mesmo de posse de maior quilometragem, agradeço por ter a sensibilidade de entender que posso e devo ser aluna dos meus filhos nos assuntos que eles dominam mais do que eu.

Tenho a sorte de ter três extraordinários professores, cada um em área diferente, o que me faz uma aluna privilegiadíssima por poder receber diariamente informações quentíssimas sobre informática, jornalismo, comunicação geral e irrestrita, meio ambiente, hotelaria e vida no exterior. Com estes professores tenho a certeza de não estar recebendo informações erradas, distorcidas ou mal intencionadas.
É mesmo uma delícia haver uma relação de amor e respeito bilateral entre aluna e professor. Esta é a delícia reservada para nós, pais, que temos o privilégio de aprender com nossos filhos.
Filhos, crianças grandes ou pequenas, meu abraço apertado, orgulhoso e feliz!
Vocês são minha maior riqueza.
Obrigada Papai do Céu!!! Senhor Deus, abençoe a todos os filhos!

Parabéns, queridas crianças grandes, no seu pelejar pela vida. Na sua visão do futuro.
No seu jeito de ser, de aprender ensinar, de fazer.
De zelar pela vida. De amar!
Yvone

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Aconchegos


Há dias em que só devia haver aconchego.
Não devia haver palavras.
Não devia haver imagens.
Não devia haver nada, nem ninguém.
Só um pijama quentinho e lençóis quentinhos.
Y

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