terça-feira, 21 de outubro de 2014

Tempo livre - será esse o tal ócio criativo?

Aquele que é mestre na arte de viver faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu tempo livre, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Distingue uma coisa da outra com dificuldade. Almeja, simplesmente, a excelência em qualquer coisa que faça, deixando aos demais a tarefa de decidir se está trabalhando ou se divertindo. “Ele acredita que está sempre fazendo as duas coisas ao mesmo tempo” (Domenico de Masi, O Ócio Criativo).

O relógio interno que controla o tempo cobra: o que fiz hoje? É preciso uma grande lista para não ser classificado como inútil, preguiçosa, indolente.
O que você vai fazer no final de semana? Dormir. É época de feriado. Você vai fazer o que? Não sei, vou ver… Passou o feriado. Fez o que? “Eu? Ahn… Ou então meu final de semana será repleto de tantas e tantas atividades de lazer que iniciarei a semana com alto grau de estresse, cruzes que mundo é esse??!!
Às vezes fico um pouco envergonhada de dizer que finalmente conquistei tempo livre. Acho que isso é minha maior contradição neste tal mundo globalizado. Como alguém num mundo com tanto acesso à informação, com novas formas de comunicação e vivendo numa cidade global pode se queixar de tempo livre?
Lembrei da música dos Fazer “Titãs:
“Devia ter complicado menos,
trabalhado menos, ter visto o sol se pôr”…”.
Parafraseando Drummond: “Êta vida besta, meu Deus!”
Eu me queixo, mas em silêncio. Ninguém tem tempo livre, todos correm contra o tempo enquanto eu passeio pelo tempo, matando tempo.
Tempo livre é um tabu com o qual tenho lutado. Primeiro para reconhecer que isso não seja um problema, depois para que as pessoas não me vejam como uma esnobe e principalmente para aprender a desfrutá-lo.
Tomo café da manha demorado, leio jornais e blogs, leio livros que outros indicam, escrevo cartas, emails e poemas, telefono e penso na vida. Muitas vezes tudo isso gera uma vontade de mundo e aí nem sempre os outros estão com tempo para gastarmos um tempo junto. Então escrevo posts, outras cartas e tomo mais um café.
A falta de tempo é um problema artificial mesmo. Vivemos quase o dobro de nossos bisavôs. Além disso, inventamos um monte de máquinas e engenhocas para economizar tempo não?!
É preciso paciência e serenidade para lidar com o tempo, mas acho que este tabu está sendo quebrado.

yvone

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Clareza


É nestes momentos que percebo minhas fragilidades,
que percebo os limites daquilo que sou, 
as linhas que projeto
os lugares de onde venho e aqueles para onde quero ir.
Sim, quero estar aqui, quero você, e a plenitude que atingem duas almas que se completam,
se consolam, se encontram.
São estes os momentos que se guardam da vida,
são estes os momentos em que se pode ter apenas uma frase a cair pelos lábios quietos:
se morresse agora, morreria feliz.
yvone

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Crianças grandes

A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.
Li essa frase certa vez em um livro de psicologia e ela sempre me soava estranha. Agora com filhos adultos a frase me parece mais coerente do que nunca.
Antes que alguma mãe apressada venha me acusar de desamor, preciso explicar o que significa isso. Ser 'desnecessária' é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também.

A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.
Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
Ao aprendermos a ser 'desnecessários', nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.
Minhas crianças grandes já nasceram com um chip implantado no cérebro. E eu, mesmo de posse de maior quilometragem, agradeço por ter a sensibilidade de entender que posso e devo ser aluna dos meus filhos nos assuntos que eles dominam mais do que eu.

Tenho a sorte de ter três extraordinários professores, cada um em área diferente, o que me faz uma aluna privilegiadíssima por poder receber diariamente informações quentíssimas sobre informática, jornalismo, comunicação geral e irrestrita, meio ambiente, hotelaria e vida no exterior. Com estes professores tenho a certeza de não estar recebendo informações erradas, distorcidas ou mal intencionadas.
É mesmo uma delícia haver uma relação de amor e respeito bilateral entre aluna e professor. Esta é a delícia reservada para nós, pais, que temos o privilégio de aprender com nossos filhos.
Filhos, crianças grandes ou pequenas, meu abraço apertado, orgulhoso e feliz!
Vocês são minha maior riqueza.
Obrigada Papai do Céu!!! Senhor Deus, abençoe a todos os filhos!

Parabéns, queridas crianças grandes, no seu pelejar pela vida. Na sua visão do futuro.
No seu jeito de ser, de aprender ensinar, de fazer.
De zelar pela vida. De amar!
Yvone

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Aconchegos


Há dias em que só devia haver aconchego.
Não devia haver palavras.
Não devia haver imagens.
Não devia haver nada, nem ninguém.
Só um pijama quentinho e lençóis quentinhos.
Y

terça-feira, 30 de setembro de 2014

um minuto de silêncio

...pelas pessoas que passam fome.
...pela violência desmedida.
...pela saudade que arrebata o coração.
...pela miséria na política.
...pela violência descabida.
...pela ausência de saídas.
y

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails