segunda-feira, 30 de junho de 2014

Simplicidade e escolhas

Quem acompanha o blog ou que o visita de vez em quando sabe da grande mudança que venho promovendo em minha vida desde que decidi ter uma vida simples.
Hoje passo por aqui para compartilhar com vocês minhas reflexões sobre o que venho aprendendo com essa experiência.
"Você não percebe quanta coisa você tem até que você tente colocar tudo em uma mala.” Y. 
Quando você começa realmente a querer viver mais simples, mais leve e com mais mobilidade, descobre que esse é um ato não só de despojamento material ou de abandono das vaidades e apegos; esvaziar as gavetas, armários a casa é um bom ponto de partida, concordo - mas não é só isso.
Na verdade acho que nos falta a idéia correta sobre o quê realmente é a vida simples, e o quanto esta simplicidade nos advém não através de viver – obrigatoriamente – em uma casa sem televisão ou luz elétrica, ou em meio a um bosque rico em flores e frutos, mas sim de se aprender a escolher com consciência e maturidade.
Desde que comecei a eliminar coisas (ainda não consegui terminar), também passei a policiar minhas compras para evitar gastos irracionais, a poupar mais dinheiro e tempo e, quando me dei conta a decisão de eliminar o excesso acabou naturalmente transbordando para todas as outras áreas da minha vida, e é bom que seja assim.
Quando você começa a se perguntar de verdade por que algo é importante para você ou por que você precisa daquilo, já sabe conscientemente que é hora de fazer escolhas sensatas e coerentes que sirvam de guia para medir todas as suas decisões futuras.
Vida simples não implica escolhas simples - Requer um nível de consciência baseada em seus valores pessoais e somente você é que pode estabelecer suas prioridades e julgar cada escolha a ser feita de acordo com essas prioridades.

Não é nada fácil por em prática a vida que se quer, acreditar nos sonhos e não se entregar para as prontas e confortáveis desculpas que nos eximem da busca, mas que nunca nos satisfazem.
No final eu acho que tudo é uma mistura de acaso e escolha. Do acaso, nada ha fazer. Das escolhas, o mais duro é encarar que as fizemos, sempre!
Dias atrás li uma frase de Thoreau que me tem me movido: 'vá em direção ao seu sonho. Viva a vida que quer viver. '
E é só isso que vou fazer pelos próximos meses. A aventura só continua... Agora terá versão marítima.
 
Em breve passo aqui para contar sobre as novas escolhas.
Que os anjos digam amém!

sábado, 10 de maio de 2014

Lagarta e Borboleta

Então chegou mais um ‘Dia das Mães’.
Mãe é onde tudo começa, onde nascemos para esta vida de nunca estar prontos...
Hoje compreendo e comemoro essa viagem rumo ao gestar e parir de nós mesmos.
Nossa gestação e parto se repetem ciclo após ciclo, renascemos maiores, melhores, mais fortes. Com mais cicatrizes e cabelos brancos, é bem verdade. Mas se estamos atentos e presentes, se aproveitamos os carinhos e castigos do existir, saímos cada vez mais inteiros.
Assim me sinto hoje. Novamente fechando um ciclo. Novo parto, nova Yvone. Mais eu mesma.
Agradeço a todos vocês, homens e mulheres, amigos e leitores. 

Parteiros de mim, junto comigo.
Feliz Dia das Mães.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Cebolas e filosofia


Semana passada conversando com minha filha pelo skype que mora longe, pensei, mas não falei, que ela precisa urgentemente aprender a descascar e picar uma cebola.
Tem movimento mais repetido na cozinha do que o ato de cortar cebola?
Durante algum tempo corri que nem o diabo da cruz na vã tentativa de me esquivar desta tarefa, mas hoje encaro a batalha de frente. Sim, ainda é uma batalha: o sucesso depende da eficiência da arma, porque faca ruim dificulta o serviço. E também da técnica e experiência, já que há jeitos certos de executar a ação e a prática facilita muito.
Encontrei no Vímeo um vídeo curtinho e bem feito para ensinar a picar e fatiar cebolas, que encaminhei para ela e divido com vocês
.



Como descascar e picar cebola from Paladar Estadão on Vimeo.

Enquanto ela tentava sem sucesso picar a cebola, entre choros e risadas nos despedimos.
No mesmo dia, um pouco mais tarde era a minha vez de picar a cebola, (não sei cozinhar nada sem cebola), lembrei da nossa conversa e também do poema de Neruda “Ode a Cebola”, em que ela fala dela como ‘rosa d´água com escamas de cristal’. Aliás, depois de ler o poema uma cebola nunca será a mesma coisa.

Você alguma vez já parou para admirar uma cebola? Já se deteve observando a maneira única como seus anéis transparentes se organizam? Círculos concêntricos fechando-se e abrindo-se uns sobre os outros.
Nossa existência com suas lembranças; amigos, amores, aventuras, desafetos, dores e alegrias também são organizados em nossos corações em fases. Ciclos que se expandem e se contraem de maneira semelhante às alianças das cebolas.
A cebola tem força e tem alma. Tira-se uma casca após a outra e a cebola continua a existir, e mesmo quando se tira a ultima casca, quem ousaria a dizer que a cebola acabou?

Estou na cozinha
Brinco com as palavras...
Onion...poema
Só- cebola
Estou só.
Choro.

E se você está pensando se eu já cortei cebola e aproveitei a desculpa para chorar de verdade, isso só aconteceu uma vez. Ok, duas.
Bj
yvone

terça-feira, 22 de abril de 2014

Mãe Terra

Mais de um mês sem publicar no blog. Eu sei, seu sei… vergonhoso. E olha que nem foi por falta de tempo como quase sempre acontece. Foi por falta de inspiração mesmo, o que, em minha opinião, é o pior motivo de todos.
Em novembro último o blog Casas Possíveis completou 7 anos no ar, confesso que depois de optar por simplificar a vida, senti vontade de encerrá-lo diversas vezes. Descobri que escolher ‘viver simples’ em nossa cultura pode ser uma jornada solitária, pessoas que ainda caminham na esteira para ganhar e gastar, não entende.
Para reverter esse quadro esse quadro e não deixar o blog morrer, decidi simplesmente mudar o assunto, produzir novo conteúdo e continuar a publicar aqui mesmo.
A sensação de missão cumprida (blog atual) é muito agradável - Já contei um pouco sobre como vivo quem sou o que sinto, sobre descobertas e sonhos. Não como exemplo nem com pretensões de escritora, mas como quem gosta de observar, que é curiosa e que sabe que qualquer tipo de leitura nos enriquece.
Com esse período de afastamento fui ganhando tempo para reorganizar as idéias e ir apagando todos os resquícios da produção anterior.
Já comecei a mexer no blog para tentar minimizar um pouco o novo formato, e se há algo fantástico na internet é a possibilidade de adquirir conhecimento, trocar informações e transformar idéias. Enfim, vivo em um mundo de ideias: algumas “racionais” outras “imaginárias”, mas ambas me ajudam nas ações do dia a dia, seja para criar textos ou somente para deixar a minha mente fluir e se ligar ao infinito.
Alguém disse que não devemos passar pela vida sem plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Tomara que seja verdade, porque os rascunhos do livro estão saindo da gaveta. Resolvi adaptar alguns dos meus textos para o blog, não faz muita diferença um livro ou um blog mesmo que só eu o leia, até porque não tenho a pretensão de agradar a todos. Impossível! Mas me dou o direito de mudar, de pensar em “voz alta” e levar comigo umas tantas pessoas na minha reflexão.

Hoje se comemora mundialmente o Dia da Terra, assim gostaria de convidar a todos para refletir sobre esse assunto. Mesmo que esses não sejam os planos ideais de vida de muitas pessoas.
De qualquer modo não dá para ignorar que são três coisas que podem ser colocadas em prática por qualquer pessoa que esteja preocupada com o futuro. Além disso, por mais que somente um deles esteja diretamente relacionado ao meio ambiente, todos podem estar ligados à natureza, à mãe desta bola ‘rodopiante’ chamada TERRA.

Quando tinha 11 anos plantei a minha primeira árvore no jardim de casa, era um pinheiro que ganhei num parque de exposição. Ultrapassou a altura do telhado e levou sombra para a calçada da rua. 
Plantar uma árvore é a mais fácil dessas tarefas, leva menos de vinte minutos e traz frutos por até centenas de anos. No entanto, essa também é a atividade menos colocada em prática pela maioria das pessoas. Normalmente alegam falta de tempo pela correria do dia a dia, e o plantio de uma árvore fica em segundo, terceiro ou às vezes nem entra nos planos.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU) a população mundial atual é de sete bilhões de pessoas, se cada uma delas embarcasse nesta onda “verde” ou cumprisse pelo menos este item da “trilogia da vida”, seriam mais sete bilhões de árvores plantadas, para reduzir, mesmo que parcialmente, o impacto que a humanidade causa no planeta.

Escrever um livro e ter um filho completa a lista e estão ligadas ao que nós deixaremos para o mundo. Não é somente a árvore que rende frutos no futuro, mas principalmente a educação e o exemplo de vida, que mostram na prática o que é buscar um futuro melhor.

Um filho é um dos maiores espetáculos que a natureza pode proporcionar, para retribuir essa dádiva da vida, não existe maneira melhor do que deixar bons filhos, ou bons frutos, para o futuro. Educação e conscientização ambiental e social são imprescindíveis para que esse objetivo seja alcançado.
O livro, talvez seja uma das tarefas mais difíceis para algumas pessoas, menos familiarizadas com as artes literárias, porém esse não precisa ser um problema no caminho.
Se o livro for a última parte do pacote, ele pode justamente contar as experiências tidas com as duas tarefas anteriores, finalizando assim um ciclo perfeito de vida.
Então acho que posso concluir que ao plantar árvores preservamos o planeta, ao ter filhos, preservamos a espécie e ao escrever preservamos as idéias. Que assim seja!

Depois volto aqui para contar o resultado do desafio. Se eu sobreviver às minhas próprias decisões, naturalmente.
Um grande abraço
yvone

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O caminho

Em cartaz no telecineplay
Não sou nenhuma especialista em crítica de filmes, aliás, essa vai ser a minha primeira.
Não sei o porquê, mas neste final de semana assistindo The Way (O Caminho de Santiago) senti uma vontade imensa de fazer essa viagem assim que acabei de assisti-lo.
Então espero com esse post poder passar minhas breves impressões sobre o filme e convidá-los a assistir também!


O Caminho conta a historio de Tom, um médico americano que viaja a França para buscar o corpo do seu filho, morto em uma tempestade enquanto percorria o Caminho de Compostela.
No desejo de entender a sede de conhecer o mundo que seu filho tinha, Tom resolve percorrer também o caminho e completar o percurso para homenagear o filho, depositando ao longo do caminho suas cinzas.
Tom caminha junto a outros 3 peregrinos – cada um com seus problemas e objetivos em percorrer o caminho.


Abandonar os antigos hábitos libertar-se das pressões do cotidiano e mergulhar na busca de novos ideais de vida são algumas das motivações de muitos que decidem percorrer o Caminho de Santiago.
Este trajeto já foi tema de filmes, romances, músicas, poemas e de acordo com os relatos de pessoas que realizaram o caminho, percebo que na maioria das vezes o objetivo do peregrino não é religioso, inclusive no filme. Os outros 3 peregrinos que acompanham Tom em sua jornada têm objetivos totalmente diferentes e “não-religiosos”. E o filme ilustra bem isso, personagens ateus e católicos não praticantes são comuns no enredo.

O Caminho se tornou não só uma rota de peregrinos em busca de milagres, mas também de mochileiros e de pessoas que buscam autoconhecimento e reflexão. Imagino que enquanto se percorre o caminho, surjam em meio ao silencio e a paisagem questões... respostas... palavras... sentimentos... emoções... descobertas... redescobertas...
Além disso, as imagens do filme são maravilhosas te levam realmente para dentro das igrejas, dos charmosos vilarejos, albergues e hospedagens ao longo da rota. Sem falar nas incríveis paisagens e do ambiente que se sente nas imagens.


Por fim, é um filme que vale a pena ver ou rever, um filme que deixa aquela de vontade de botar a mochila nas costas e viajar, mas acima de tudo um filme com uma lição de vida que vai te fazer pensar bastante no modo como se vive. 
A última frase que Daniel deixou para seu pai foi: 
Não se escolhe uma vida, pai. Vive-se uma’. Ainda ecoando dentro de mim até agora.


Boa semana a todos!

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