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O sabor do tempo

Acendedor automático
Mal o dia clareia o fogão a lenha é aceso, manhoso como ele só esquenta lentamente até tomar a temperatura ideal para o cheirinho de café escapar do bule e invadir quilômetros de distancia. A gente acaba pulando da cama quentinha quase sem perceber.
Minha avó contava pra gente que na casa dela em Uberaba só existia fogão a lenha. É engraçado como essa memória ficou em algum local de minha mente e me fazer sentir o prazer e a alegria do aconchego que só cozinhas como essas podem nos dar - É um cheiro visceral que nos conecta aos nossos ancestrais ao redor das fogueiras.
Umas das coisas que sempre sonhei quando começamos a empreitada no mato era um dia ter um fogão desses. Hoje é raro se ver um fogão a lenha nas casas, mesmo nas cidades mais distantes.
A necessidade de se preservar o meio ambiente dificulta a aquisição de lenha e aqueles que porventura, tenha um fogão a lenha, raramente podem fazer uso dele pois a lenha se tornou escassa. Porém, felizmente lá no meu mato quando tem ventania, árvores velhas e secas caem feito penas e a gente faz a festa.
Galhos secos de araúcarias
Um dia vou contar por aqui o mico que paguei ao tentar fazer a minha primeira refeição completa quando inaugurei o fogão.
Felizmente tive a sorte de ter comigo a Rosângela que nasceu em paragens muitos mais distantes do que essa e cresceu vendo a mãe, as tias e toda a família ascendo o fogão a lenha.
Uma vez aceso, o fogão a lenha só cessa seu trabalho quando todos vão dormir e olhe lá. Começa cedinho na hora do café emenda com o almoço, o lanche da tarde e o jantar. Assim a mesa fica posta o dia inteiro e o cheirinho gostoso dos quitutes faz com que ninguém se afaste por muito tempo da cozinha.
Certa vez intrigada de ver como a Rosangela conseguia acende-lo sempre tão rápido, puxei a cadeira sentei e pedi para ela acender para eu ver.
A arte começa na forma de trançar paus grossos com os gravetos (isso vale também para ascender lareiras, trançadinhos e gravetos; Galhinhos do pinheiro (araucária) que tem uma folhinhas bem fininhas, quando já estão secos pega fogo que é um beleza, sem contar com o cheirinho que é uma delicia.
A cozinha definitivamente virou a sala de visitas, aliás, fazendo um aparte aqui, se lembrasse disso antes gastava um zilhão a menos com a obra, porque a cozinha é de longe a campeã em audiência e público atrativo para quem mora nas grandes cidades e vai passar as férias num lugarejo de vida mais mansa. êita coisa boa sô!
Aqui num falta companhia viu!
Continuando então sobre a arte de acender o fogão, o que vi foi sopra daqui e dali e vai controlando a chama e assim o fogão fica aceso o dia todo. O mais incrível é que depois de apagado o fogo as brasas podem ser guardadas debaixo da cinza, caso contrário apaga.  Você olha para o fogão tudo apagado e não sabe que é só mexer na cinza com um pau para que as brasas vermelhas apareçam. Aí as brasas colocadas debaixo dos gravetos e do capim é só soprar. Não precisa fósforo o sopro acende as brasas. Esse é o truque de mestre!
Escolhi essa foto do bolo que a Leila me enviou porque pelo menos ela teve a decência colocá-lo num prato antes de parti-lo. Vocês viram a foto ai acima do meu??O causo é que quando tudo isso acontece em volta daquele fogão acho que fica a cozinha fica meio bagunçada, eu meio acordada meio dormindo... Esse bolo fica tão cheirooooso, tão bonito tão gostooooso que ninguém consegue fazer foto dele sem estar faltando pedaços.
Agora é tempo da colheita do pinhão, sempre me impressiono ao escutá-las explodir do alto das araucárias.
Sobre as araucárias aprendi com o povo que nasceu por lá que a pinha fruto onde estão aglomerados os pinhões leva dois anos para amadurecer.
E outra coisa que é científica e que descobri com meus amigosé que quando o ar fica muito úmido se preparando para chover as pinhas dos pinheiros que já estão abertas, fecham-se para que as sementes continuem secas. A pinha prevê quando vai chover, ela fecha quando o ar está mais úmido e abre quando o ar está mais seco. Assim quando as pinhas do chão estiverem fechadinhas o tempo está úmido e poderá chover. Se estiverem abertas vamos ter um dia quente e seco.
Dedico esse post às montanhas desse lugar
Porque foi aqui que eu falei com Deus.

Bolo de Milho Imperdível


Como todos sabem receita quando dá certo entra para a história de qualquer família e na minha também é assim. Não é raro acontecer de associarmos algum prato a alguém da família.
Guardo lembranças de vários pratos inesquecíveis, e o bolo de milho nunca faltava na casa da mineirada fosse para o lanche da tarde, nas festas juninas que nunca eram passadas em branco ou para um simples bate papo na cozinha. Aliás, quando criança ouvi historias que só eram contadas na cozinha, duvido que muitas delas tenham saído dali algum dia.O fato é que quando tinha alguma visita na cozinha sempre surgia um adulto para espantar as crianças - Garantia da conversa ficar por ali.  e 
O bolo de milho que vi minha mãe, tias e avós não tem nada a ver com essa receita que vou passar agora. O milho era colhido e destrinchado e dali saiam receitas incríveis. Algumas com certeza passaram por esse liquidificador da foto que foi de uma das minhas avós.

A receita abaixo descobri e aprendi por ocasião da minha pousadinha lá em Visconde de Mauá. É pratica, fácil, barata e o sabor e surpreendente.
Eu primeiro experimentei o bolo e depois logo quis saber a receita. Fiquei tão surpresa que passei a servir o bolo todas para os hospedes no café da manha. Não sobrava nada!


Bolo de Milho - Ingredientes
1 lata de milho com a água;
3 ovos
1 copo de óleo (tipo americano) menos 1 dedo
2 copos (idem) de açúcar
9 colheres de sopa de milharina
1 colher de sopa de fermento em pó
1 garrafinha de leite de coco

Pré aqueça o forno 180 graus, bata tudo no liquidificador unte uma numa forma redonda (aprox.22 cm) com manteiga e um pouco da milharina (eu uso sempre essa fôrma de buraco no meio porque me lembra bolo que a gente come na fazenda, mas pode ser em uma assadeira. 

Se for retangular acho que vale dobrar a receita porque essa massa não cresce muito).
Deixe no forno por 50 minutos (sempre dependerá do seu forno ok). Insira um palito para ver se está assado.
Se o palito sair seco retire o bolo do forno e deixe esfriando. 

Após uns 10 minutos desenforme o bolo com o carinho que um bolo como esse merece.
Milharina é um produto 100% natural constituído de flocos de milho pré-cozidos para facilitar sua integração aos demais ingredientes nas preparações culinárias.

Convido a todas que fizerem o bolo voltar comentar e contar o resultado.
Tô aguardando.
Bom findê.


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