Coisinhas de Antigamente


Eu me interessei pelo artesanato desde menina, na minha infância era comum a mulher costurar em casa. Eu via minha avó minha mãe e tias costurando naquela máquina Singer de pedal, ficava lá pedalando e do outro lado da agulha saíam coisas incríveis; - vestidinhos para as crianças, cortinas para a casa, colchas de retalhos. Eu tenho uma delas até hoje, era da minha mãe.

Hoje, quando me lembro dessas coisas fico imaginando o que saiu de cada um daqueles retalhos; o pedaço de brim deve ter sido uma calça jeans que virou bermuda; o barrado rosa pode ter feito um vestido para minha irmã; o tecido estampado miudinho podia ter sido uma saia, depois uma capa de almofada para o sofá sempre velho e surrado. Todos os pedacinhos de histórias que minha mãe não se lembra mais. Mas não tem problema porque eu me lembro de muita coisa.


Minha avó tinha mais paciência que a mamãe e me explicava: "olha só, eu ponho a linha aqui e passo aqui, tá vendo? Agora vou por o pé aqui embaixo... viu? Já tá costurando! E a máquina começava a fazer nhok nhok nhok e ia saindo coisas incríveis; tinha um cheiro de óleo misturado com pano.
A máquina, além de ser fascinante aos meus olhos infantis, ainda guardava um monte de segredos. Isto porque a mesa onde ela se punha (fechada servia como mesa) tinha um monte de gavetinhas; quem tem máquina antiga em casa deve saber. Cada gavetinha era um universo de botões e carretéis que minha avó me deixava desbravar contente.
Eu abria e ficava ali sentindo aquele cheiro de guardado, me admirando com as linhas mescladas, colchetes e alfinetes separando os botõezinhos por cor e tamanho. Tinha linhas de todas as cores, pedacinhos de retalhos, sianinhas coloridas...

Todas estas memórias me ocorreram há cerca de um mês, quando topei com a máquina de costura da minha avó. Abri as gavetinhas e os carretéis ainda estavam ali, assim como aquele cheiro característico deles. A máquina de costura dela veio para minha casa.
Agora ela fica exibida segurando a porta para não bater


Os pés viraram suporte para uma mala antiga que serve para guardar toalhas de mesa
Comecei a fazer minhas primeiras tentativas artesanais já na adolescência, mas não vendia, apenas fazia para mim, para a família ou amigas. Estava sempre inventando uma moda, “costumizando” como se diz hoje.
Mas meu inicio pra valer mesmo foi com o tricô e bem interessante. Um dia eu conto.
Depois disso... Bom depois disso entre uma maternidade e outra, entre mil atividades fora e dentro de casa, nunca mais parei de criar...
E por mais que eu confesse ter buscado inspiração em outras grandes mulheres da história universal, foi e ainda o é de dentro de casa que tirei meus exemplos e meus valores mais preciosos.
Por isso, aproveito este momento de doces lembranças e peço licença para apresentar alguns dos trabalhos de mamãe que além de lindos são sempre bem vindos e possíveis em qualquer casa de respeito.

Manta para enfeitar sofás e poltronas de croche e fuxico - By Zélia

2 comentários:

  1. Yvone , viajei no tempo com esse seu post , consegui até sentir o cheiro de óleo com pano que saia da máquina da minha avó Carmem ... , que era igualzinha a essa , tinha todas as gavetinhas de madeira com a frente bem entalhadinha , um charme ... hummm ... que saudade !!! Só tenho o pé da máquina preto com singer em dourado ... Amei o post !!! E vc tbm !!!
    Bjo no coração*

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  2. Ah bendita dona Zélia!
    Adorei o post.

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