O mundo gira a lusitana roda, e como dizia Cazuza o tempo não para!

Tapume de obra
E voa! Estive fora de são Paulo por alguns anos e a melhor maneira de atestar as mudanças na paisagem de um bairro é ficar um tempo afastado e, de repente voltar a morar. Foi o que aconteceu quando voltei para Pinheiros, na zona oeste de São Paulo há pouco mais de dois anos atrás.
Fiz as contas, e em dezoito anos a atual é a minha sexta alteração de endereço. Leia-se aqui mudança de bairro, cidade e estado - Haja carreto. O mundo gira a lusitana roda e... Eu mudo. Aqui cabe uma legenda aos meus jovens leitores: a Lusitana era uma famosa transportadoras especializada em atender futuros escritores nômades.
A sensação foi estranha. As esquinas definitivamente não são mais as mesmas e prédios de vidro, quase todos com nomes franceses ou italianos; Oficce, Residence, Spazios... Restaurantes e bares moderninhos ocupam os lugares dos antigos sobrados. Nem mesmo o simpático casal de velhinhos que moravam na casa da esquina há décadas, resistiu – Haviam mudado do bairro pouco antes de voltar. Seu ponto foi ocupado por uma pequena "sorveteria moderninha e barulhenta”.
Continua a ser um bairro residencial e é bom que se diga que o lugar que conheci estava longe de ser perfeito. Era um típico bairro de classe média, sem grandes luxos e com os mesmos problemas de qualquer esquina de São Paulo: trânsito, sujeira e especulação imobiliária.
Mas a região tinha certo charme, com vendedores de rua que estavam no lugar há décadas e pequenos comércios para atender aos moradores do pedaço. Era fácil estacionar na rua e a noite havia silencio e podíamos ficar com as janelas abertas para ventilar e dormir em paz. Por que será que hoje esta tão difícil assim entender que as pessoas quando estão em casa, principalmente após as 22 horas, desejam dormir, repousar e ter PAZ????

Desde que me tornei moradora do bairro, perdi a conta dos prédios residenciais que vi nascer.
Hoje, quando caminho pelo bairro, sinto-me um pouco nostálgica. Embora ainda resistam alguns sobradinhos aos poucos vão sumindo do cenário. Eles são o alvo preferido das construtoras, que compram vários imóveis contíguos, planejando obter uma área grande o bastante para erguer uma ou duas torres. A pouca oferta de terrenos valoriza o metro quadrado, os imóveis ficam mais caros e, por isso, já nascem destinados à classe média alta.
Os que resistiram se transformaram em lojinhas descoladas e nas vitrines, palavras como "orgânico", "lounge", "vegan", "handmade", "sommelier", "vintage" e, claro, a maldita "gourmet", um carimbo pestilento que transforma picolé em paleta, tilápia em Saint Peter, kombi do dog em food truck e bolinho em cupcake.
A padaria que servia o pingado e pão quentinho mudou de layout, botou piso e mobília de saguão de aeroporto, instalaram catracas, TVs de plasma e vestiu os coitados das funcionários a La Mac Donalds. E a ótica que virou "Eyewear"? E a loja de bombons, que se define como "Chocommelier"? Ai meu Deus pára o mundo que eu quero descer!!!!
Por isso, foi um choque voltar ao bairro olhar para uma das muitas esquinas e me sentir na badalada e afetada Oscar Freire.

Quando uma cidade deixa um prédio de 30 andares ocuparem o lugar de seis ou sete sobrados, não causa só os problemas mais óbvios, como trânsito, falta de vagas para automóveis e aumento no preço dos imóveis, mas desfigura também o comércio local. O bairro passa a ter uma habitação transitória, e o comércio muda completamente de figura. O boteco que servia 30 PFs por dia é substituído por um restaurante perde todos os fregueses e vende o ponto para uma temakeria. Os lojistas não têm uma história com o local e a alma do bairro se vai, enquanto os preços triplicam e triplicam e triplicam.
Os frequentadores do bairro, claro, também mudam. Agora é a vez do pessoal descolado, que anda de bike pelas ciclovias, adoram pandas, gastam 400 pratas em sessões de meditação e tem na varanda do apê de 40 metros um vaso de cenouras orgânicas.
Basicamente o novo povo do meu bairro é aquela galera de cabelos c u i d a d o s a m e n t e desleixados que usam roupas vagabundas e caríssimas.
Para mim o bairro acabou. Já era. Passo pro próximo. Engula um chocommeleir e conforme-se, que esse fenômeno não tem volta.
Só uma coisa me deixa curiosa: quanto tempo o sujinho do Bar do Mario (esquina próxima à minha casa resistirá, ilhado nesse oceano de hipsterismo? - Em tempo: Hipster aquele que demonstra gostos, atitudes e opiniões consideradas cool, ou seja, atuais, legais, originais, autênticas, mas que não gostam de ser vistos como cool. Os hipsters andam em meio às pessoas no dia-a-dia, mas não gostam de fazer parte delas e consideram brega e cafona tudo que é de gosto geral. E, é claro, rejeitam o termo hipster. KKKK
Malditos hipsters!
Em breve estou chamando a Lusitana de novo e volto aqui para contar sobre o novo endereço.

10 comentários:

  1. Sou gaucho, meu pai foi transferido pro Rio, onde fiquei 4 anos (1976-1980), um ano fora e na volta quis SP por achar um pouco parecido com NYork. Bem, fiquei 30 anos em Sampa e fui cuidar dos meus pais no Rio, onde fiquei 5 anos e volto agora órfã. Pelos preços astronomicos de Pinheiros e Vila Madalena, onde tenho uma casa quase esquina Natingui, alugado pra um studio de sei la o que, acabei comprando uma casinha bem transada entre o Jardim Bonfiglioli e Rio Pequeno. Te conto tudo isso porque to bem feliz aqui. Tem o que eu chamo de " centrinho" no JBonfiglioli, onde tem bancos e butiques, etc. e quando vou pra Pinheiros, digo que vou pra "cidade"....sensacional!!!
    To em Sampa, mas parece interior há apenas 15 minutos de Pinheiros. Tem muitos bairros em Sampa que precisam de gente descolada como você. A minha rua é pequena e fechada, mas as motos conseguem passar. Já fiz amizade com os 12 moradores e juntos estamos pensando em como fechar pras motos que usam a ruela até como fuga da polícia, Estamos pintando os postes, colando coisas engraçadas ou bonitas, enfim, pega a lusitana e divirta-se! Seja Bem Vinda, beijos Angela

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    1. Oi Angela, prazer enorme receber sua visita aqui. Fico feliz com seu comentário pq tem horas que fico me sentindo como um ET (risos). Vou considerar seu convite e conhecer um pouquinho desse pedacinho de interior nosso vizinho. Bjs Y

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  2. Haja Lusitana para dar conta desse vai e vem frenético. Corro dos grandes centros, quando estou em Vila Velha me sinto uma estranha no ninho e olha que estamos falando de uma cidade de porte médio, cuja especulação imobiliária é absurda. Em quinze anos, foram dez mudanças de bairros, cidades, estados e países...rsrsrss...talvez por isso o desejo de ficar na minha amada Bahia. Posso até circular por aí, mas o meu porto seguro estará lá, me esperando. Beijos e sorte!!!

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  3. Sensacional seu post, Yvone! A real é que a vida aí fora tá sem gosto de verdade, muito corante e aromatizante disfarçados. Falta sentimento, falta o "de verdade". É uma realidade bem triste! Beijo

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  4. oi Yvone,

    Faz muito tempo que não passo por aqui, mas como sempre seu texto é formidável.
    O povo anda se achando mesmo, ahaha
    Tenho uma filha de 17 anos que agora anda nesta onde de fazer rabo de cavalo despenteado. E adianta a gente falar alguma coisa contra? rs
    MOrei numa casa por quase 20 anos e mudei pra um apê num bairro bem antigo aqui da grande Fpolis, São jose´na verdade, uma cidade vizinha . E agora estou acompanhando as casas antiguinhas da rua serem abandonadas e vendidas pra as construtoras. Qdo ando pela rua e olho estas casinhas me vem um olhar saudosista. O bairro antigo esta virando a bola das vez das construtoras porque os novos já estão lotados de prédios. Só que aqui ainda não é nada badalado como a SP. A maioria destes novos moradores são gaúchos e muita gente vindo de fora fazendo a grande Floianópolis .
    Agora estou curiosa pra ver seu novo caminho escolhido ;)

    bjus
    ana
    jeitodecasa

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  5. oi Yvone, fiquei feliz em te reencontrar e com certeza em te receber no blog também!
    Vou ver se não te perco mais de vista, hehe
    Ainda sobre a minha mudança, depois de quase 20 anos numa casa, já avisei para o marido que nunca mais quero ser tão apegada a um lugar . Mudança pode ser muito bom, eu que sou um pessoa resistente as mudanças, mas sempre é tempo de aprender, rs

    Bjão

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  6. Triste isso, Yvone! Nunca morei em São Paulo, mas minha tia morou 30 anos em Pinheiros e minhas memórias mais antigas passam por esse bairro nesse tempo antigo... Saudade!

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