Coisas Possíveis


Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu.
A gente estancou de repente ou foi o mundo então que cresceu... A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar. Mas eis que chega a roda viva e carrega o destino pra lá...”


Procurando umas músicas pra baixar da internet ouvi esse pedacinho de letra da música de Chico Buarque que ficou rodopiando na minha cabeça pro resto do dia.

Atualmente, dentre outras coisas, trabalho com organização de casas e espaços em geral, o que para mim, significa também tentar decifrar o porquê carregamos sempre tantas coisas conosco. Na casa, na bolsa, nos bolsos, no carro, no escritório...
Na mesma noite assistindo a uma reprise daquele seriado LOST, fiquei sabendo que uma das atrizes da série teve sua casa incendiada no começo do ano.
Perdeu todas as fotos de infância, os diários, os primeiros móveis comprados com o dinheiro próprio, os glamorosos vestidos de gala e, certamente, alguma carta de amor. Quando perguntada sobre como estava se sentindo, disse: “pura”.

Depois de algumas perdas pelo caminho, na mesma hora entendi o teor da resposta.
A sensação de apego – por objetos, pessoas ou lugares – é uma prisão que nós mesmos criamos onde entramos para sentir segurança.
Pensei imediatamente em quantas vezes eu mesma agi assim, tentando reter um momento especifico da minha vida, uma pessoa que me faz feliz, o primeiro sapatinho da minha filha ou uma caixa cheia de passado.
Não penso que isso seja condenável, é humano oras bolas. E, muitas vezes até doloroso.
Você já parou para pensar nisso? Já olhou para o fundo das gavetas, no fundo dos armários, onde guardamos as caixas com coisas que, pensamos, uma hora ou outra servir para alguma coisa, mas que, na verdade, nunca mais são olhadas e, quando são, é apenas uma lágrima minúscula... O que tinha lá? Por que estava lá?
O que é usado constantemente nos faz feliz, fica à mostra na estante, nas paredes, na sala, no sorriso, nos encontros.
O balanço, o vai e vem talvez seja o mais forte alicerce que temos neste mundo.

Não estou dizendo que temos que viver solto, sem lembranças, ou raízes. Mas é preciso encontrar uma medida, um ponto de equilíbrio entre o que foi e o que será. Porque definitivamente não podemos controlar a roda da vida.
Ainda bem né?

7 comentários:

  1. Amiga, Deus me livre, mas só uma foguerinha assim me salva das tralhas...rssss.
    Esse processo de libertação apenas pelas próprias mãos é duro, viu?
    Beijocas!

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  2. Santinha do céu, rsrsrs, já trabalho bem forte esta questão aqui em casa, pois quem tem pouco espaço é obrigado a pensar assim né? Mas perder fotos de infância deve ser uma "purificação" que não gostaria de ter que passar. Tá certo que as lembranças boas estão na nossa mente, mas vai explicar isso pro nosso coração. Apego a coisas e objetos já não é o meu problema, menos um... Grande beijo, adorei a reflexão. Grande beijo!

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  3. Oi Yvone, muito bonito seu post hoje, e muito propício para esta época do ano, quando precisamos pensar em renovação, limpeza da alma e do espírito. A gente junta muita coisa ao longo da vida, as vezes guarda tanto tempo que até esquecemos o porquê de termos guardado algo. Eu vou te confessar ,tenho até hoje um caderninho, onde meus amigos da 7a e 8s série (imagine quanto tempo tem isto) escreveram recadinhos para mim. Eu fiz um caderno e pedi a cada um que escrevesse alguma coisa para eu guarda uma lembrança deles, já não nos veríamos mais. Não vi mais os colegas, alguns nem tenho mais notícias, mas cade coragem de jogar o caderno fora? Beijos amiga

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  4. Yvone muito profundo e verdadeiro o post, às vezes nos apegamos a coisas, tudo na vida passa as lembranças tem de ficar guardadas em um cofre chamado coração.
    Estava pensando esses dias sobre essas as casas de alguns artistas que tiveram foram queimadas pelos incêndios e fiquei pensando quantas coisas, objetos, presentes de amigos se perderam no fogo, mas tenho comigo que o mais importante é a vida que o fogo não levou, pois tudo depois pode se reconstruir, e como eu disse as lembranças e os sentimentos sempre vão ficar na memória e no coração.
    Essa é a bagagem da vida...

    Bjinhos

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  5. Ahhhh...belísssimo post!Impossível ler sem lágrimas nos olhos.
    Chegou a hora de todos nós refletirmos e questionarmos sobre o porquê do culto de priorizar o ter,o acumular coisas, ao invés do ser,de nos tornarmos pessoas melhores.
    Eu e minha família escolhemos uma casa que não tem zilhões de m2, mas é adequada as nossas necessidades.Não vai ter montoeira de móveis e nem excesso de acessórios.Mas diariamente retomamos ao pnto de como é gostoso criar um ambiente onde podemos dizer:como somos felizes!!!
    Beijocas
    Regiane

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  6. Yvone, muito verdadeiro seu post.
    Quam de nós não se apega às coisas que trazem recordações? Realmente é algo que traz sensação de segurança, como se a memória se apagasse com a falta do objeto. Temos que nos reprogramar e saber que as coisas realmente importantes nunca se apagarão, sejam elas lembranças doces ou amargas. Fazem parte da nossa história e cabe a nós aprender com elas, fazer bom uso e não remoer ou alimentar mágoas.
    Bjs.
    Ah, tem um presentinho para você no meu blog.

    Bjs.

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