Wabi-Sabi – A beleza do imperfeito

É engraçado como quando é hora de aprender uma lição. Ultimamente ao invés de suspirar sobre coisas que preciso arrumar na minha casa, sigo instintivamente o conceito estético-filosófico japonês do "Wabi-sabi" onde as coisas imperfeitas e incompletas têm beleza própria.
O autor de “Wabi-Sabi para artistas, designers, poetas e filósofos”, Leonard Koren, diz que wabi-sabi é a beleza das coisas imperfeitas, impermanentes e incompletas; a beleza das coisas modestas e humildes; a beleza das coisas não convencionais. 

Se pudesse resumir tudo o que os autores escreveram sobre o wabi-sabi em uma única ideia, eu diria que wabi-sabi é aquilo que se encontra na essência das coisas simples”. Odepórica. E eu também concordo plenamente. De qualquer modo, as palavras wabi e sabi não são de fácil tradução. 


Como uma boa virginiana que sou perfeccionista e detalhista por natureza, realizei grandes coisas na minha vida da qual sou muito orgulhosa. Por outro lado, cheguei a conclusão de que gastei uma quantidade incontável de energia buscando a perfeição que é sempre extremamente desgastante - Sim, podemos chegar bem perto do nosso ideal de perfeição, e também não digo que a gente não deva aprender a se melhorar sempre, mas isso não equivale a tentar ser perfeito.
Numa analise fria sobre essa minha mania de perfeição e auto cobrança, e é bom dizer que não sou mais assim, percebi que deixei de lado um bocado de idéias e projetos bacanas, simplesmente porque minhas auto-imposições e expectativas eram sempre muito altas. Achava que não daria conta de atender a essa ou aquela demanda, que teria que ser melhorada sempre. Sendo constantemente obcecada em fazer as coisas melhores descobri a duras penas que essa busca incessante de perfeição é basicamente impossível de alcançar. Esta maneira de ver as coisas, muitas vezes nos impede de alcançar nossos sonhos e cumprir o propósito de nossa vida - Viver mais wabi sabi.

Hoje me dou permissão para cometer erros e não me incomoda mais se não ficar assim tão bom, tão pronto ou perfeito.

Perceber a beleza que se esconde nas frestas do mundo imperfeito é uma arte que começa quando a gente reconhece e aceita nossa tola condição humana”.

Ninguém precisa recuperar a casa maravilhosa, a sala perfeita e cheia de detalhes que já teve um dia para entrar em contato com essa filosofia. O desafio é construir seu lar interno, espiritual.
Amar o imperfeito ou inacabado é aceitar que viver não se trata de atingir um objetivo – que, no fundo, a gente nunca chega lá. O que importa é sempre mesmo o caminho.  Encontrar o seu ritual eternamente inacabado, que não tenha nenhum objetivo maior a não ser fazer você feliz.


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