Cebolas e filosofia


Semana passada conversando com minha filha pelo skype que mora longe, pensei, mas não falei, que ela precisa urgentemente aprender a descascar e picar uma cebola.
Tem movimento mais repetido na cozinha do que o ato de cortar cebola?
Durante algum tempo corri que nem o diabo da cruz na vã tentativa de me esquivar desta tarefa, mas hoje encaro a batalha de frente. Sim, ainda é uma batalha: o sucesso depende da eficiência da arma, porque faca ruim dificulta o serviço. E também da técnica e experiência, já que há jeitos certos de executar a ação e a prática facilita muito.
Encontrei no Vímeo um vídeo curtinho e bem feito para ensinar a picar e fatiar cebolas, que encaminhei para ela e divido com vocês
.



Como descascar e picar cebola from Paladar Estadão on Vimeo.

Enquanto ela tentava sem sucesso picar a cebola, entre choros e risadas nos despedimos.
No mesmo dia, um pouco mais tarde era a minha vez de picar a cebola, (não sei cozinhar nada sem cebola), lembrei da nossa conversa e também do poema de Neruda “Ode a Cebola”, em que ela fala dela como ‘rosa d´água com escamas de cristal’. Aliás, depois de ler o poema uma cebola nunca será a mesma coisa.

Você alguma vez já parou para admirar uma cebola? Já se deteve observando a maneira única como seus anéis transparentes se organizam? Círculos concêntricos fechando-se e abrindo-se uns sobre os outros.
Nossa existência com suas lembranças; amigos, amores, aventuras, desafetos, dores e alegrias também são organizados em nossos corações em fases. Ciclos que se expandem e se contraem de maneira semelhante às alianças das cebolas.
A cebola tem força e tem alma. Tira-se uma casca após a outra e a cebola continua a existir, e mesmo quando se tira a ultima casca, quem ousaria a dizer que a cebola acabou?

Estou na cozinha
Brinco com as palavras...
Onion...poema
Só- cebola
Estou só.
Choro.

E se você está pensando se eu já cortei cebola e aproveitei a desculpa para chorar de verdade, isso só aconteceu uma vez. Ok, duas.
Bj
yvone

Mãe Terra

Mais de um mês sem publicar no blog. Eu sei, seu sei… vergonhoso. E olha que nem foi por falta de tempo como quase sempre acontece. Foi por falta de inspiração mesmo, o que, em minha opinião é o pior motivo de todos.
Em novembro último o blog Casas Possíveis completou 7 anos no ar. Confesso que depois de optar por simplificar a vida senti vontade de encerrá-lo diversas vezes. 
Descobri que escolher ‘viver simples’ em nossa cultura pode ser uma jornada solitária, pessoas que ainda caminham na esteira para ganhar e gastar não entende.
Para reverter esse quadro esse e não deixar o blog morrer, decidi simplesmente mudar o assunto, produzir novo conteúdo e continuar a publicar aqui mesmo. 
A sensação de missão cumprida (blog atual) é muito agradável - Já contei um pouco sobre como vivo quem sou o que sinto, sobre descobertas e sonhos. Não como exemplo nem com pretensões de escritora, mas como quem gosta de observar, que é curiosa e que sabe que qualquer tipo de leitura nos enriquece.
Com esse período de afastamento fui ganhando tempo para reorganizar as idéias e ir apagando todos os resquícios da produção anterior.
Já comecei a mexer no blog. Para tentar minimizar um pouco o novo formato. Gente, e se há algo fantástico na internet é a possibilidade de adquirir conhecimento, trocar informações e transformar idéias! 
Enfim, vivo em um mundo de ideias, algumas racionais outras imaginárias, mas ambas me ajudam nas ações do dia a dia, seja para criar textos ou somente para deixar a minha mente fluir e se ligar ao infinito.

Alguém disse que não devemos passar pela vida sem plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro
Tomara que seja verdade, porque os rascunhos do livro estão saindo da gaveta, e para adiantar meu expediente, resolvi adaptar alguns dos meus textos para o blog. Não faz muita diferença se é um livro ou um blog mesmo que só eu o leia, até porque não tenho a pretensão de agradar a todos. Impossível! Mas me dou o direito de mudar, de pensar em voz alta e levar comigo umas tantas pessoas na minha reflexão.

Hoje se comemora mundialmente o Dia da Terra, assim gostaria de convidar a todos para refletir sobre esse assunto. Mesmo que esses não sejam os planos ideais de vida de muitas pessoas.
De qualquer modo não dá para ignorar que são três coisas que podem ser colocadas em prática por qualquer pessoa que esteja preocupada com o futuro. 

Além disso, por mais que somente uma delas esteja diretamente relacionado ao meio ambiente, todos podem estar ligados à natureza à mãe desta bola ‘rodopiante’ chamada TERRA.
Quando tinha 11 anos plantei a minha primeira árvore no jardim de casa, era um pinheiro que ganhei num parque de exposição. Ultrapassou a altura do telhado e levou sombra para a calçada da rua. 
Plantar uma árvore é a mais fácil dessas tarefas, leva menos de vinte minutos e traz frutos por até centenas de anos. 
No entanto, essa também é a atividade menos colocada em prática pela maioria das pessoas. Normalmente alegam falta de tempo pela correria do dia a dia, e o plantio de uma árvore fica em segundo, terceiro ou às vezes nem entra nos planos.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU) a população mundial atual é de sete bilhões de pessoas, se cada uma delas embarcasse nesta onda verde ou cumprisse pelo menos este item da trilogia da vida, seriam mais sete bilhões de árvores plantadas para reduzir mesmo que parcialmente, o impacto que a humanidade causa no planeta.

Escrever um livro e ter um filho completa a lista e estão ligadas ao que nós deixaremos para o mundo. Não é somente a árvore que rende frutos no futuro, mas principalmente a educação e o exemplo de vida que mostram na prática o que é buscar um futuro melhor.

Um filho é um dos maiores espetáculos que a natureza pode proporcionar. Para retribuir essa dádiva da vida não existe maneira melhor do que deixar bons filhos ou bons frutos, para o futuro. Educação e conscientização ambiental e social são imprescindíveis para que esse objetivo seja alcançado.

O livro talvez seja uma das tarefas mais difíceis para algumas pessoas menos familiarizadas com as artes literárias, porém esse não precisa ser um problema no caminho.
Se o livro for a última parte do pacote ele pode justamente contar as experiências tidas com as duas tarefas anteriores, finalizando assim um ciclo perfeito de vida.
Então acho que posso concluir que ao plantar árvores preservamos o planeta, ao ter filhos preservamos a espécie e ao escrever preservamos as idéias. Que assim seja!

Depois volto aqui para contar o resultado do desafio. Se eu sobreviver às minhas próprias decisões, naturalmente.
Um grande abraço
yvone


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